terça-feira, 29 de setembro de 2009

Um Che para todos


Os dois filmes que o diretor Steven Soderbergh fez sobre a luta de Che Guevara é uma obra de arte a parte. A começar pela audácia em não ser falado em inglês - o que deve ter causado um certo desconforto para os holywoodianos de plantão - e colocado o protagonista em sua língua natal.

Depois pela pegada do filme que - graças a interpretação primorosa de Benicio Del Toro - deu-nos um Che humano e sem misticismo. Quando digo humano, estou dizendo homem mesmo. Daqueles que gostamos de chamar de humanos, aqueles que diferenciam de qualquer outro animal porque pensa no próximo de forma racional e apaixonada.

Mas ainda tem a cor do filme (o que os técnicos chama de fotografia) que nos transporta para dentro das duas guerrilhas que enfrentou. Com pouca trilha sonora, a crueza dos momentos dificeis não é atemorizada.

A estratégia e a coragem que aqueles homens tiveram ao lutar por seus ideais infelizmente não é hoje colocada em pauta. Acho que é por isso que essa figura de Che ainda é desconhecida. Lutar por aquilo que acredita ainda é algo que parece distante da realidade. Sempre lutamos pela vida e pelo enriquecimento dos outros como se nunca fosse possível mudar.

O que os artistas mais querem é uma arte de ruptura, mas sua vida cotidiana é de submissão, de exploração, de permanência de valores que na obra tenta quebrar. Ai ai...

Percebo que, pelo fato do filme nos trazer um homem no sentido mais sublime da coisa, fica mais dificil de compreender, de sofrer e de entender porque ele nunca desistiu de seus ideais e prosseguiu, mesmo com todas as dificuldades, em direção de uma sociedade mais justa.

Veja só, enquanto ele lutava por um mundo melhor, aqui nós temos que ver nossas liberdades individuais indo embora e proibição atrás de proibição. É lei anti fumo, rodízio de carros duas vezes por semana, não pode iss, não pode aquilo.

Parabéns Soderbergh pelo Che humano. Aquele que nem a esquerda gosta muito de ver e que a direita não compreende e acha graça.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O Respiro que Precisávamos

Acho que o Coletivo Cênico de Suzano se saiu muito bem na 2ª Conferência de Cultura. Junto com a Associação Paulista de Artes Cênicas (APAC) conseguiu levar 2 delegados pra conferência estadual o que ajuda em muito nossa força aqui na cidade.

Além do mais, o grupo se organizou muito pra estar lá. Foram levantadas pautas importantes e prioridades para cada sala. Ao final, foi lindo ver que temas importantes estvam presentes nas discussões: A aprovação da PEC 150, instalação imediata do Conselho Municipal de Cultura e a adoção de editais públicos para projetos da secretaria na cidade.

Deve-se ressaltar que essa foi uma articulação que o pessoal do teatro levantou em todas as salas e fez o convencimento com todos os presentes.

E todos saímos satisfeitos com o resultado. Fortalecidos e com a estima lá no teto, descobrimos que podemos respirar aliviado e o desabafo que fiz em no texto Conferência é oportunidade de Conquistas (04/09) hoje se mostra revigorado com o que conseguimos graças a uma articulação boa e oportuna.

Parabéns ao Coletivo Cênico de Suzano, a APAC e aos artistas de teatro que fizeram por valer políticas culturais que vão além da sua sala de ensaio.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Termos do Dicionário Tucanês


Enquete

Sugestão do amigo Wilson: após o cineasta falido, Arnaldo Jabor, chamar o golpe em Honduras de “golpe democrático” e o PIG inventar o “presidente de fato”, quais outros termos poderiam ser criados ?


Do site de Paulo Henrique Amorim

http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=18901

"Quem não se ocupa de política já tomou a decisão política de servir o partido dominante." Frisch, M.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Serra quer Vender a Saúde


O digníssimo governador de São Paulo José Serra (PSDB, DEMo, PFL - é tudo a mesma coisa) está lançando de todas as armas para privatizar a saúde do Estado que já está a míngua.

Isso se dá porque a Assembléia Legislativa aprovou uma lei que entrega qualquer órgão público de saúde para Organizações Sociais (OS). Detalhe importantíssimo: com essa lei complementar (62/2008) essas OS nem precisarão fazer licitação para a compra de produtos e serviços. É deixar a Deus dará.

E isso vem desde muito tempo. Essa mania de tucano de privatizar o país foi muuuuito bem feito pelo FHC - que o diabo o leve - que fez o maior crime da história desse país quando vendeu a Vale do Rio Doce, uma empresa que, se mantida até hoje, seria uma das maiores do mundo em minérios.

Mas tem muito mais suco dessa fruta. É claro que o nível de atendimento cai drásticamente e os funcionários da saúde não tem estabilidade, ficando sempre a mercê da exploração política e partidária além da exploração dos próprios chefes e dos baixos salários para os funcionários.

Enfim, pra não me alongar muito é esse tipo de pessoa que quer ser presidente do Brasil.

Que lixo.

Mas ele sabe, ou vai saber, que o projeto que ele prega, o Brasil rejeita como a um animal que contamina.

PEC 150 avança


Ontém mesmo já está a notícia que a PEC 150 que propõe que 2% do orçamento da União seja destinado ao Ministério da Cultura, 1,5% para as Secretarias de Cultura dos Estados e 1% para os municípios foi aprovada pela Comissão que trata disso na Câmara do Deputados em Brasília. É uma vitória importante porque hoje a pasta na União não passa de 0,5% com um orçamento de R$ 1,3 bilhão e com os tão lutados 2% chegaria a R$ 5,3 bilhões. Um salto fundamental para que possamos democratizar as políticas públicas para cultura no país. Não se faz cultura sem orçamento e esse pensamento não é tranquilo para vários governantes que ainda vê a cultura como uma pasta onde se tem despesa e não investimento. É sabido que a economia da cultura corresponde no Brasil a 8% do PIB com poucos investimentos sérios para a área. Sendo assim é imaginável que, com esse aumento significativo no orçamento, o país passe a tratar de seus bens materiais (museus, teatros, cidades históricas) e imateriais (cultura popular, artistas e serviços culturais) com muito mais respeito além de proporcionar intercâmbios de linguagens circulação de bens artísticos por todo país. A luta é grande mas está avançando para boas notícias. Que na 2ª Conferência Municipal de Cultura nós possamos perceber esse momento importante na construção de políticas públicas sérias no país e também ajude nessa conquista.