terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A Mostra de Referências Teatrais vai... e nós ficamos


Depois de uma boa Mostra de Referências Teatrais - a 6ª edição - com espetáculos de grande porte e excelência artística, é chegada a hora de colocarnos sobre nós um olhar mais atento.

Hoje estamos numa sinuca de bico perigosa. Sem políticas públicas na região que efetivamente possibilitem que os grupos produzam seus espetáculos sem implorar de joelhos - e mesmo implorando muitas vezes não conseguem - as produções locais tendem a sempre ficar abaixo do esperado e fortalecer a idéia péssima de que "o que vem de fora é melhor do que está aqui e por isso o que está aqui não vale a pena ser prestigiado".

Se as peças servem como referência para nós que conseguimos identificar os avanços no teatro de pesquisa e ao mesmo tempo pode ajudar na formação de público - outro tema importante a ser tratado aqui - quando eles vão embora deixam aqui uma cidade e região com políticas de balcão ou nenhuma política de fomento a produção cultural.

É chegada a hora de refletir sobre a importância na Mostra num momento onde ela, quando nasce da vontade de grupos em trocar estéticas, passa a trabalhar com a mesma lógica sobre a qual lutamos por aqui, ou seja, o que é de fora é melhor.

A luta, que deveria ser de melhorar o olhar dos gestores públicos, passam a valorizar a Mostra como mais um evento e não conseguem entender que ela só tem validade se conseguirmos olhar pra dentro e avaliar o que deve ser realizado para a melhoria dos grupos da cidade.

Já que o poder público não olha para o lado de cá, devemos compreender as nossas causas e sacar que não teremos tempo muito grande pra conseguirmos fortalecer a nossa profissão para nós. Se nós não a defendermos, ninguém a fará.

Acho que é a nossa sina. Mas desconfio que estou pronto para avançar.

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