domingo, 18 de julho de 2010

A jornada é longa e o registro é curto.


Lá estava eu dando uma olhada básica na história do teatro e tal. Resolvi me fazer a seguinte pergunta: por que, oras bolas, Vestido de Noiva é um clássico? Por que o Nelson? Por que essa montagem? POR QUE???

E aí - prometo que não falarei dos detalhes pra não ser chato - percebo que ele nasceu de uma vontade e disposição de alguns atores que queriam fazer teatro de pesquisa, montar uma peça que até então propunha uma dramaturgia nova e estavam diante de um jornalista que escrevia umas coisas.

Resultado, foram lá e montaram.

Seja lá como foram os detalhes, só foi possível porque havia registro desse material. E desse registro, nasceu uma baita dramaturgo, um puta diretor, uma montagem clássica e pronto: um pedaço da história do teatro brasileiro estava nascendo.

E sinto que aqui no Alto Tietê, temos boas propostas, tentativas importantes e lutas para que essa arte não morra perante o descaso da políticas públicas regionais. Mas simplesmente não há registro disso. Não conto jornal. ele é uma parte do registro, mas a menor parte. O jeito é ir pra meios alternativos e autoral.

Mas reconheço as dificuldades. Quanto custa publicar um livro com suas peças? Estamos preparados pra ouvir os nossos, aqui pertinho? Queremos trocar e efetivamente registrar ou o que está em jogo é o nosso ego, a nossa disputa?

Vejo que já há grandes publicações contemporâneas a respeito: o pessoal da Vertigem, do Pombas Urbanas, da XIX, União e Olho Vivo (talvez a melhor publicação da listinha aí) conseguiram o feito da publicação.

Já é alguma coisa mesmo que ela tenha certo cunho comercial do que se refere num produto a ser comercializado - não necessariamente financeiro óbvio.

Levanto essa preocupação. Apesar de muitos grupos estaremos com a chance de levantar alguma coisa por conta das políticas dos Pontos de Cultura, somos anterior a isso e talvez, alguns grupos devam se colocar humildemente nesse processo não para se vangloriar, mas para continuar o registro.

Registro para que, lá na frente, também possamos dar a chance de montarem nossas peças, lerem sobre o que pensamos e aí continuarem essa jornada que já dura mais de 2500 anos da vida ocidental.

Se fizeram isso há uns 50 anos quando não tinha internet, e tudo mais, porque não seria possivel agora?






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